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Cirurgia Plástica

Hidrosadenite

Última atualização: 29/09/2026

Hidrosadenite — Anselmo Lofêgo

A Hidosadenite ou Hidroadenite é uma doença inflamatória crônica da pele, dolorosa, recorrente e debilitante, localizada no folículo piloso terminal. Afeta 1% da população, tendo um impacto negativo na qualidade de vida destas pessoas. Manifesta-se em axilas, região inguinal, genital, anal, glútea e mamas.

A Hidosadenite ou Hidroadenite é uma doença inflamatória crônica da pele, dolorosa, recorrente e debilitante, localizada no folículo piloso terminal. Afeta 1% da população, tendo um impacto negativo na qualidade de vida destas pessoas.

Manifesta-se em axilas, região inguinal, genital, anal, glútea e mamas. A doença afeta três vezes mais mulheres do que homens, sendo que maioria dos portadores de hidradenite supurativa tem sobrepeso. Sabe-se que também há relação com o tabagismo. Embora a maior parte dos portadores seja adultos, é comum que a doença tenha início próximo à puberdade.

Clinicamente, caracteriza-se por nódulos dolorosos e abscessos que frequentemente se rompem com formação de fistulas e cicatrizes. Em uma parcela dos pacientes o quadro pode ser leve com lesões únicas, pequenas, ocasionais e que desaparecem espontaneamente. Mas em outro grupo a hidroadenite pode tornar-se crônica e evoluir para formas graves.

Entendendo a hidrosadenite

O conhecimento sobre a hidradenite evoluiu muito nos últimos anos. Acredita-se que uma resposta anormal do sistema imunológico desempenhe um papel importante em seu surgimento. Em pessoas predispostas, o folículo piloso dessas áreas inflama e bactérias da flora local contribuem para ampliar essa resposta do organismo, levando à expansão do processo para outros folículos da proximidade. Eventualmente a inflamação diminui, mas surtos sucessivos desse processo formam áreas que não desinflamam completamente e se intercomunicam, resultando em nódulos endurecidos, cordões fibrosos e fístulas, num processo que se perpetua por meio da presença de mediadores inflamatórios.

A presença de numerosas bactérias na hidroadenite sugere que um componente infeccioso participe na patogênese da doença. Uma hipótese é que haja uma desregulação da microbiota normal. Este defeito permitiria que bactérias comensais se tornassem patogênicas e induzissem uma reação inapropriada do hospedeiro responsável pelos sintomas inflamatórios. As recidivas poderiam ser causadas por reativação do biofilm bacteriano persistente.

Tratamento clínico

Consiste em fazer uso de medicações que possam reduzir a atividade inflamatória da doença e controlar a flora bacteriana local. O tratamento clínico inicial deve ser programado para um período de 6 a 12 meses, com acompanhamento de longo prazo em função de tratar-se de uma afecção crônica e de curso flutuante. De acordo com a evolução clínica e história natural da doença, ajustes e novas intervenções terapêuticas podem ser necessárias.

A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) aprovou o uso do Adalimumabe, um anticorpo monoclonal totalmente humano, para o tratamento de hidradenite supurativa (HS) de moderada a grave. Dessa forma, Adalimumabe passa a ser o primeiro e único tratamento aprovado de adultos com a doença no Brasil. O medicamento já foi aprovado nos Estados Unidos e Europa pelas agências regulatórias locais.

Tratamento cirúrgico

Existe uma certa dificuldade em se padronizar o tratamento cirúrgico, devido as diversas formas de apresentação da doença (nódulos inflamatórios, abscessos, fístulas e cicatrizes extensas). Portanto, a cirurgia precisa ser individualizada e sempre combinada ao tratamento clínico. Ela depende basicamente de conhecimento sobre a patologia e habilidade cirúrgica.

O tratamento cirúrgico na fase aguda e na fase crônica devem ser distinguidos. Incisão e drenagem podem oferecer alívio da dor nos casos com abscessos flutuantes tensos. Deroofing e excisões alargadas são métodos cirúrgicos preferidos nas fases crônicas. Em muitos casos as cirurgias são realizadas em múltiplos estágios.

Infelizmente o tratamento cirúrgico é frequentemente iniciado muitos anos após o início dos sintomas e somente após diversas tentativas malsucedidas de tratamento clínico. Esse retardo na indicação da cirurgia, permite o agravamento da doença e do sofrimento do paciente.

Nos estágios mais graves, principalmente, a cirurgia deve ser realizada precocemente logo após o diagnóstico, devido à grande melhora que pode oferecer na qualidade de vida desses pacientes.

Conclusão

O problema da Hidrosadenite não tem relação apenas com proliferação bacteriana, mas também com uma resposta anormal do hospedeiro.

Os sintomas podem ter um grande impacto negativo na vida dos pacientes. Há casos em que as lesões são bastante dolorosas e drenam secreção com odor desagradável, o que torna difícil a realização de atividades rotineiras, podendo prejudicar relacionamentos pessoais, sociais e profissionais.

O diagnóstico é feito por meio do exame clínico da pele e a indicação de tratamento cirúrgico não deve ser adiada, em função da grande melhora na qualidade de vida que é capaz de oferecer.

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